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Mostrando postagens de maio, 2019

Última carta

  Caríssima, Não sei ao certo o que me levou a tomar tal decisão; o que aqui suponho é que fora algo necessário para o teu crescimento pessoal. Arrisco também o palpite de que não entenderás o que fui acometido a fazer.   A súplica que te rogo é que lembres de mim como eu fora em vida (contente); isso, por certo, vai ajudá-la a transcender a dor que hoje lhe causo. Peço-te que não chores, ao contrário, comemore pois acabo por libertar-me desta matéria que não me serve para nada.   O fato de não poder mover-me contribuiu para o que estou prestes a consumar; sinto em ter que deixar-te, mas já não suporto mais a arrogância, a prepotência e o egoísmo do qual este plano está repleto.   Penso eu,  que este ponto lhe será de fácil compreensão, tendo em vista o quanto sofrestes no decorrer da tua, pobre e miserável, vida. Saibas também que não tenho outra opção, apenas esta: me desfazer deste corpo de carne e voltar pro meu corpo astral.   Ademais, estas são a...

Reflexo

Nada mudou ou mudará; por mais que o tempo passe, não será possível... O passado não deveria doer tanto assim, visto que eu mal o vivi! Talvez seja por esse motivo tamanha dor, desalento...    Certo dia, isso lembro com clareza, estivera eu a beira de um lago pequeno, no entanto, bem profundo - pensava em atirar-me ao fundo; fiz menção em jogar-me,  mas um velho, que ali próximo morava, veio a meu encontro. Não me permitiu pular antes de ouvir o que tinha a dizer.    "Sabe criança..." começou ele, "quando tinha sua idade..." sua voz embargou, como que amargurado; nesse momento não pude conter as lágrimas, que a essa altura já me jorravam pela face. "Quando tinha sua idade também pensei a mesma coisa que agora lhe passa pela cabeça." continuou ele, ainda com a voz um tanto trémula,  "eu vivia todos os dias pensando naquela que haveria, um dia, de ser minha melhor amiga, amante, confidente amada... Vulgo esta, a morte."    Olhei-o com olhar inte...

Dependente

A luz que ilumina o dia é a mesma que outrora fez brilhar as maçãs da tua face; ah, que belas maçãs! De um vermelho tão intenso, e denso, que mais parecia ser negro. Uma tonalidade singular.    Tua imagem não me foge da mente, mesmo após todo esse tempo que se passou; ainda posso sentir o toque aveludado que possui tua pele... E tua boca?! Essa nem se fala, a mesma maciez que possui seu tecido exterior também o foi empregado no desenvolver dos teus lábios. Agora, me veio a mente aquele nosso beijo de séculos atrás - aproveito para perguntar-te: " Assim como as crianças, na escola, sempre que lhes permitem, repetem o lanche. Qual seria a probabilidade de eu repetir, mais uma vez, do teu beijo?"    "Por que tu fazes essa analogia entre o beijo que te deste e o lanche que um pequeno repete?" dirás. Em contrapartida te direi: "Ambos são tão saborosos... Sim, pois, caso o pequenino não o tivesse gostado não o teria pedido repetição; Assim, portanto, é o mesmo que ...