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Mostrando postagens de junho, 2019

Cometa

   Oh, simplória estrela, vem ao meu encontro. Minhas noites sem ti não são mais as mesmas; sinto falta da tua saudosa, e explendorosa, cabeleira loira, do olhar que me lançavas em meio as noites escuras, do teu riso resplandecente que me guiava por entre esses caminhos turvos e tristes (tortuosos)... Ah, que saudade sinto se ti!    Entende-me a mim, estrela minha; sem o teu brilho vigoroso meus passos são inseguros e, como consequência, não posso seguir na incerteza. Pena tu ter-se extinguido, ou fora que abandonei a ti?! Não sei. Não há como saber agora que fostes.    Ainda ontem sonhei contigo: estavamos, ambos, a correr em um campo coberto por alecrim, cujo aroma pairava no ar. Paramos. Trocamos olhares como cúmplices de um crime perfeito; em meio a este não consegui conter-me e roubei-te um beijo... Ah, estrela, este sonho fora tão real que pude sentir a maciez dos teus lábios nos meus.    Perdoe a mim, estrela, por expor esse desejo que t...

Entrevista dos seres

- Formiguinha, que te vale este mundo (de)vasto? - De nada me soma; vivo, sobrevivo...  Existo apenas. - Cigarrinha amiga, que te vale o teu cantar? - Anima meus dias e noites de verão;  mas de nada me vale nos longos invernos (infernos) - Castor, nobre ser, que te vale esta tua represa? - Abrigo, proteção... Trabalho... Preguiça de o fazer. - Abelha, minha rainha, que te vale teu nécta e teu pólen? - O néctar me serve de alimento,  a mim e aos meus; o pólen, no entanto, ajuda no crescimento das minhas, nobres, amigas plantas. - Rosa, roseira, que te vale tuas pétalas e perfume? - Beleza... Elegância. - Senhor Grilo, que te vale teu cricrilar? - Cada qual possui seu modo de festejar; este é o meu, alegrar as madrugadas com o meu cantar. - Perguntaste-nos que nos valia o mundo, o cantar... Perguntamos também nós a tu: que te vale a saudade, o tempo e a escrita? (Todos em uníssono) - O tempo é um fétido, pestilento, insubordinado... Mísero ladrão. Furtou-me o ...