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A noite

   Ele estava lá e, eu vi tudo que sucedeu.  Contar-lhe-ei, ó dignissimo leitor, um relato concreto que contém vários fatos verídicos e, também, diversas testemunhas.
   Passaram-se das três da manhã; era uma madrugada estrelada, ouviu-se ao longe uma calmaria profunda.  O desejo de sair para aproveita a noite estrelada consumia-lhe a alma, não resistindo, cedeu a essa tentação.
   Ao chegar numa determinada localidade, (cuja qual não citarei para que não ocorra de irdes lá), sentara-se em um banco que havia ali próximo.  Mal acabara de acomodar-se, chega-lhe uma linda moça, esta, por sua vez, pergunta se poderia fazer-lhe companhia.  Este, aceita gentilmente sua solicitação.
    As estrelas dançavam-lhes aos olhos, à lua, como que proclamasse a chegada ou o início de um novo amor, brilhava iluminando a noite.  Uma brisa súave aliviava-lhe toda a tensão existente, que parecia estar acompanhando-lhe ha séculos.
   Vislumbrando tal magnífico cenário, nem percebera que lhes espreitava, saberia, porém, mais tarde.  Entretanto não deixaria que nada nem ninguém estragasse aquele belo momento, no qual a estrela maior convidava-lhes a valsar.
   A moça, que a pouco havia chegado, continha uma beleza que... Creio não encontrar as palavras certas para descrevê-la.  Sua sutileza, seus gestos tão delicadamente belos, faziam-na semelhante as mais belas tulipas.
   Os primeiros raios da manhã vieram a aquecer-lhes a face, e à noite foi-se embora como a chama de uma vela a consumi-la.  A moça fez gesto de ir embora, o rapaz, logo ergueu-se fazendo um movimento como que agradecendo por ter compartilhado tal exuberância com ele.  O mesmo acompanhou-na até o seu apartamento ali perto, despediu-se, e se foi embora.
   Caro leitor, não penses que essa é apenas uma história inventada, nem digas que sou romancista.  Em verdade, eu digo-te: saberás que toda história é verídica, e, a veracidade está em cada uma destas palavras.

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Autoria: Alex da Silva Alves
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