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Dependente

A luz que ilumina o dia é a mesma que outrora fez brilhar as maçãs da tua face; ah, que belas maçãs! De um vermelho tão intenso, e denso, que mais parecia ser negro. Uma tonalidade singular.
   Tua imagem não me foge da mente, mesmo após todo esse tempo que se passou; ainda posso sentir o toque aveludado que possui tua pele... E tua boca?! Essa nem se fala, a mesma maciez que possui seu tecido exterior também o foi empregado no desenvolver dos teus lábios. Agora, me veio a mente aquele nosso beijo de séculos atrás - aproveito para perguntar-te: " Assim como as crianças, na escola, sempre que lhes permitem, repetem o lanche. Qual seria a probabilidade de eu repetir, mais uma vez, do teu beijo?"
   "Por que tu fazes essa analogia entre o beijo que te deste e o lanche que um pequeno repete?" dirás. Em contrapartida te direi: "Ambos são tão saborosos... Sim, pois, caso o pequenino não o tivesse gostado não o teria pedido repetição; Assim, portanto, é o mesmo que me acontece."  Sonhando com o dia em que poderei eu provar novamente do teu ósculo, posso sentir o teu perfume; delicioso cheiro de flor de laranjeira... Este me tem um efeito sobrenatural. Perdoe-me a comparação, mas receio ser ela a mais adequada, exerce sob mim, assim como as drogas, um domínio completo; assumo que sou dependente... Dependo do teu riso, do teu toque, do teu perfume para viver!



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Autoria: Alex da Silva Alves
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