Pular para o conteúdo principal

Dependente

A luz que ilumina o dia é a mesma que outrora fez brilhar as maçãs da tua face; ah, que belas maçãs! De um vermelho tão intenso, e denso, que mais parecia ser negro. Uma tonalidade singular.
   Tua imagem não me foge da mente, mesmo após todo esse tempo que se passou; ainda posso sentir o toque aveludado que possui tua pele... E tua boca?! Essa nem se fala, a mesma maciez que possui seu tecido exterior também o foi empregado no desenvolver dos teus lábios. Agora, me veio a mente aquele nosso beijo de séculos atrás - aproveito para perguntar-te: " Assim como as crianças, na escola, sempre que lhes permitem, repetem o lanche. Qual seria a probabilidade de eu repetir, mais uma vez, do teu beijo?"
   "Por que tu fazes essa analogia entre o beijo que te deste e o lanche que um pequeno repete?" dirás. Em contrapartida te direi: "Ambos são tão saborosos... Sim, pois, caso o pequenino não o tivesse gostado não o teria pedido repetição; Assim, portanto, é o mesmo que me acontece."  Sonhando com o dia em que poderei eu provar novamente do teu ósculo, posso sentir o teu perfume; delicioso cheiro de flor de laranjeira... Este me tem um efeito sobrenatural. Perdoe-me a comparação, mas receio ser ela a mais adequada, exerce sob mim, assim como as drogas, um domínio completo; assumo que sou dependente... Dependo do teu riso, do teu toque, do teu perfume para viver!



.................................................................
Autoria: Alex da Silva Alves
.................................................................

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Ùltimo Pranto

Inda ontem recordei da tua outrora existência e... sinto muito. Fracassei! Cada novo dia é um tormento angustiante. Não sei o que aqui se passa. Me fazes muito falta. Eu sei: Já passara-se um longo período desde a tua partida, mas ainda me doí a alma. Falhei em outrora e agora falho novamente.  Pressinto que em breve nos encontraremos: Você está pronta? porque eu estou. Ninguém será avisado, não quero que interfiram. Eles não me entendem, não sabem a dor que me assola; era para ter sido a mim a quem o fim levaria e não a ti. Está sendo difícil suportar essa dor... Todos ao redor me dizem o óbvio: " Você tem que superar. " Falam como se fosse fácil. Se passassem pelo o que passo, não diriam uma estupidez tão grande!  Escrevo, mas sei que tu não lerás mais nada. Nenhum escrito provindo de um desgraçado, lhe trará algum proveito. Até mesmo a caneta me trai, falha tal como seu dono. Insiste em não gravar no papel palavras que ora escrevo. Compreendo-a muito bem. No...

Alma moribunda: parte I

Erguem-se dos leitos quatro moribundos; caminham ambos em direções opostas - onde vão? Não sei. As velhas alcoviteiras, residentes junto a antiga catedral, espantam-se; tamanho horror as consome: tentam correr na direção da igreja para rezarem pedindo pela remissão de todas as vezes nas quais falavam dos transeuntes nos arredores da cidade. Pobres anciãs... Não veem que já é tarde pra isso! Não, minto; sempre há tempo pra tal. Mas por que deixar somente pra quando algum ser ergue-se do seu esquife?! O primeiro pútrido ser - uma moça jovem, altiva; dum vigor que se faz notório mesmo após sua extinção - caminha rumo ao norte. Por que norte?! Ora! pois! porque é aí que reside seu noivo, digo, ex-noivo... "Ela fora noiva?!" dirás com espanto. Sim, fora. Mas essa foi sua desgraça (digo desgraça não pelo fato de casar-se) pois o moço, com o qual iria unir-se , abandonou-a ao pé do altar. "Mas que crápula!", dizes tu. Sim, foras deveras; a donzela não suportara taman...

Outonos

   Turva a mim a visão... Os sentido todos. O que vejo não vejo... É ilusão. Frutos podres que misturam-se aos bons. A macieira, de fronte a mim, prefere os bons frutos ao chão e aqueles, contrários a estes, junto a si. Eu sei que tu dirá: "Por que a faz?" Tal barbárie se dá porque o aroma das maçãs pútridas é muito mais intenso que o das sadias.    Houvera, outrora, quem a quisesse por terra. Preservei-a. A capacidade frutífera daquela macieira, que ora vemos, é tamanha que impressionaria a si própria. Eu a deposito minha confiança plena. Sim! minha confiança plena. "Por que? Não acabas por dizer que a predileção dela são os ventos maldosos?! Que te faz crer tanto nela?" tu dirás. Ela cativou-me. "Mas a ti todos cativam!" retrucará tu. O que transforma-nos em seres vivos pensantes é crer no melhor que há noutrem.    Soprou, outrora, por sobre ela intensa tempestade. Resistiu fortemente. Queres saber poque creio?! Veja-a com os olhos meus e entenderá....