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Nau

   Noite quente, estupidamente quente; nem mesmo a brisa, que outrora  soprava sobre mim, foi capaz de aplacar esse exaspero calor. tão quente... tão frio.
   Ao longe vê-se uma grande nau a zarpar; mas aonde irá ela? Seu destino é incerto, tendo como única certeza que o porto no qual ela irá atracar não será o teu. Pobre marinheiro, tua barcaça segue a nau mas, ela segue apenas o curso outrora já traçado; ouso dizer ser em vão todo esse teu trabalho de seguí-la.
   Iça-se a vela do mastro principal e tu, oh marinheiro, vais ficando (a cada onda marítima que passa) mais distante da tua adorada nau; não te afliges, oh marujo, porque tu bem sabes que o cruzeiro não tem porto fixo (ao contrário da nau). Modela-te   num ancoradouro permanente, quanto a nau deixa que siga; não te fases bem essa perseguição infundada.
   Nau e cruzeiro estão agora lado a lado, vem aproximando-se uma grande tempestade; nau e cruzeiro afastam-se e seguem seus cursos. Pobre nau, pensou que o Cruzeiro poderia ajudá-la a passar por essa intempérie (pensou erroneamente); o cruzeiro seguiu seu planejamento, enquanto a nau retorna ao porto com o auxílio da barcaça.

Oh nau, eis o teu porto!
Oh simplória nau, este é o teu destino. Não Lutes contra ele.
Oh nau, se o fizerdes acabará em frangalhos.
Atraca, apenas atraca...


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Autoria: Alex da Silva Alves
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