Viajara milhas para, enfim, vê-la; imensa alegria lhe encheu o peito. Pensou ser ego, mas não, não era nem podia ser. Não ouso dizer que fora amor porque creio ser uma palavra muito forte e, por tal nível, não deve ser utilizada levianamente.
Gostara-a ao primeiro olhar, ao primeiro beijo - singular! - saboroso; se lês isso que ora narro saberá de quem trata. "Oi, gatinha dos olhos de mel" disse ele com leve riso de canto de lábios. Amistoso. Charmoso.
Recordo que em outra ocasião ela perguntou-lhe: "Usas maquiagem?" e, após, tocou-lhe as faces. Toque caloroso, macio... A priori ele não entendeu. Eu, no entanto, desde o princípio soube do que se tratava; e aqui, como sei que lerás, digo: "Foste muito esperta. Eu em seu lugar teria feito o mesmo; mesma abordagem." Proclamo tal em alta voz tendo um riso saliente fixo ao rosto.
"Bela Helena, tenho profundo receio de machucar-te e machucar-me; em decorrência disso, não aches estranho se não te demonstro afeto. Aprecio-te; sabes bem disso. Sei, eu, de tuas experiências passadas, do quão maléficas foram-te, mas não permita que isso prejudique algo que nos pode vir a ser frutífero."
Brota-lhe lágrimas aos olhos; jorram-lhe pela face lavando e purificando sua alma juvenil outrora lacerada pelas dores vividas. "Teu receio também é o meu, lembra-te disso amada Helena."
Enlaçou-lhe os braços ao pescoço e o beijou como sendo essa a última vez que o veria; não fez assim porque deixaria-o, mas sim porque, apenas desse modo, sentiria que estaria, de fato, aproveitando o momento com toda sua singularidade.
Nada disse ela, apenas beijou-o com ósculo singular; o qual dissera tudo sem invocar nenhuma palavra.
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Autoria: Alex da Silva Alves
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