Oh, simplória estrela, vem ao meu encontro. Minhas noites sem ti não são mais as mesmas; sinto falta da tua saudosa, e explendorosa, cabeleira loira, do olhar que me lançavas em meio as noites escuras, do teu riso resplandecente que me guiava por entre esses caminhos turvos e tristes (tortuosos)... Ah, que saudade sinto se ti!
Entende-me a mim, estrela minha; sem o teu brilho vigoroso meus passos são inseguros e, como consequência, não posso seguir na incerteza. Pena tu ter-se extinguido, ou fora que abandonei a ti?! Não sei. Não há como saber agora que fostes.
Ainda ontem sonhei contigo: estavamos, ambos, a correr em um campo coberto por alecrim, cujo aroma pairava no ar. Paramos. Trocamos olhares como cúmplices de um crime perfeito; em meio a este não consegui conter-me e roubei-te um beijo... Ah, estrela, este sonho fora tão real que pude sentir a maciez dos teus lábios nos meus.
Perdoe a mim, estrela, por expor esse desejo que tenho de ti neste pequeno e velho pergaminho de papiro, mas no momento é o que tenho em mãos; também leve em consideração o fato de que não lhe conseguiria falar a ti, caso tu voltasses a este monte onde habito. Não gostaria de constranger-te.
Esse fora o último pedaço de pergaminho que me restara; se eu possuísse mais deste, por certo escreveria muito mais para honrar-te, mas não o tenho. Receio ter chegado o momento da despedida, se algum dia encontrardes isso, venha até mim.
Eu não o poderia fazer, pois, como bem sabes, sou uma mísera árvore vivendo sempre fixa ao solo. Por ser esta a última linha, ouso dizer: amo-te, estrela!
"Astro meu, vinde de encontro a mim; atendei, pois, a minha súplica lamuriosa. "
Muito belo , maravilhoso ... excelente texto !
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